1960
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José
Alfredo Vilhena Rodrigues nasceu a 7 de Julho de 1927 em Figueira de Castelo
Rodrigo. Passou a infância em Freixedas (nos arredores de Pinhel)
e refere-se sempre a esta aldeia da Beira Alta como se dela fosse natural.
Cursou Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, mas não chegou a concluir o curso. Fixando residência em Lisboa, realizou anedotas ilustradas (cartoons) e escreveu textos humoristicos para jornais e revistas (Diário de Lisboa, Cara Alegre, O Mundo Ri,...). Publicou a primeira colectânea de anedotas ilustradas em 1956 ( Este Mundo e o Outro) a que se seguiram outros, bem como livros com textos humoristicos dos quais o primeiro foi Manual de Etiqueta publicado em 1959. |
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1974
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Com
o fim da publicação da revista O Mundo Ri, em 1966,
dedicou-se com mais intensidade à escrita, tendo chegado a publicar
nove livros humorísticos de sua autoria num único ano (1971).
Soube (e ousou) como poucos aproveitar a Censura Oficial, então vigente, a seu favor, quer utilizando-a como objecto de paródia, quer utilizando a apreensão frequente dos seus livros para incentivar as vendas por assinatura. O desrespeito pelos padrões estabelecidos valeu-lhe três estadias nos calabouços da PIDE (1962, 64 e 66) que contribuiram, tanto quanto a marginalidade dos seus textos e ilustrações, para o tornar um mito moderno. |
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1975
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A Revolução de Abril encontrou Vilhena numa fase de renovação gráfica e tentativa de afirmação de uma publicação com características periódicas (a "Grande Enciclopédia Vilhena" em fascículos). Foi graças a essa situação e à capacidade que tem de assegurar sozinho a redacção e ilustração das suas publicações que conseguiu colocar no mercado o nº 1 da revista Gaiola Aberta em Maio de 1974. Durante vários anos a Gaiola Aberta, parcialmente impressa a cores, manteve padrões de qualidade gráfica e humoristica difíceis de superar, mesmo por revistas estrangeiras com uma vintena de colaboradores. Ademais, o tipo de humor revisteiro de Vilhena adaptava-se singularmente bem à liberalização de costumes que caracterizou o pós-25 de Abril e permitiu a sua descoberta por novos estratos sociais. | |
1992
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Após
um hiato de quatro anos que se seguiu ao fim da Gaiola Aberta, durante o
qual se defendeu de um processo intentado na sequência de uma fotomontagem
que envolvia a princesa Carolina Grimaldi, Vilhena regressou com o
Fala Barato, primeiro em formato de jornal e depois de revista, em que
os limitados meios gráficos eram compensados pela variedade de caricaturas
brilhantemente executadas e pela diversidade dos textos humorísticos.
Seguiram-se O Cavaco e, mais recentemente, O Moralista onde Vilhena adopta métodos de comunicação mais modernos (textos curtos e profusão de cartoons humoristicos). Num país onde prolifera o cinzentismo, o Vilhena que conhecemos através das suas publicações é colorido e multifacetado. Não só é um brilhante ilustrador, caricaturista de mérito e humorista (a nível nacional é, realmente, o humorista!) como também um autêntico original. |
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Reproduções autorizadas por J.Vilhena |
Texto: João
Manuel Mimoso
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Lisboa, Portugal (2002-10-08) |