Os Lusíadas de Luís de Camões

ilustrados por Carlos Alberto Santos

Canto III estânc.17,20,21

Vasco da Gama termina a descrição da geografia europeia ao rei de Melinde: "Eis aqui (...) o Reino Lusitano, onde a terra se acaba e o Mar começa; Esta é a ditosa pátria minha amada..."

ouvir   óleo de Carlos Alberto Santos (col. particular)
17-
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"Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
como cabeça ali da Europa toda,
em cujo senhorio e glória estranha
muitas voltas tem dado a fatal roda;
mas nunca poderá, com força ou manha,
a Fortuna inquieta pôr-lhe noda
que lha não tire o esforço e ousadia
dos belicosos peitos que em si cria."
Espanha- Península Ibérica;
fatal roda- destino (roda do destino);
noda- o mesmo que "nódoa".
20-
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"Eis aqui, quase cume da cabeça
da Europa toda, o Reino Lusitano,
onde a terra se acaba e o Mar começa
e onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
nas armas contra o torpe Mauritano,
deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente."
onde Febo repousa no oceano- onde o Sol se põe;
floreça- floresça;
Mauritano- Mouro;
deitando-o de si fora- expulsando-o de Portugal;
estar quieto o não consente- não lhe dando sossego.
21-
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"Esta é a ditosa pátria minha amada,
à qual se o Céu me dá que eu sem perigo
torne, com esta empresa já acabada,
acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela antão os íncolas primeiros."
acabe-se esta luz ali comigo- se conseguir completar a viagem da descoberta e voltar a Portugal, diz o Gama, já posso morrer!.. mas na realidade talvez Camões, que escrevia estes versos na Ásia, se referisse a si próprio sendo "esta empresa" o próprio poema;
íncolas- habitantes.
- ouça estas estâncias (mal lidas)- para estudantes estrangeiros

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